Histórico

            Desde o século XIX existia em Juiz de Fora uma grande propriedade agrícola, que se situava no lado esquerdo da rua Vitorino Braga, que ia desde o rio Paraibuna até os Três Moinhos, em direção ao Linhares, passando também para outro sentido, rumo à vila Meggiolaro – que hoje é o bairro Nossa Senhora Aparecida – no Alto do Morro do Quebra Careca, e que fazia fronteira com a Fazenda da Divisa – que hoje é o bairro Manoel Honório – que pertencia na época ao coronel Manoel Honório de Campos.

            Esta vasta propriedade pertencia ao coronel Francisco Ribeiro de Assis, que foi vereador na Primeira Câmara de Juiz de Fora (1853 a 1857) e ainda exercia outro mandato (1868 a 1872) quando morreu em 1871.

            Em 1912, a viúva do coronel Francisco Ribeiro de Assis – Dona Carolina de Assis Isabel Campos –  resolveu desfazer-se de uma parte de suas terras – justamente a que dava frente para a rua Vitorino Braga – e negociou esta parcela de sua terra com o coronel Antônio Caetano de Andrade, que criou 19 filhos – entre eles – Ademar Rezende de Andrade, prefeito de Juiz de Fora por dois mandatos (1955 a 1959) e (1964 a 1967). Daí em diante esta faixa de terra ficou conhecida como Vila Andrade. O coronel Antônio Caetano de Andrade realizou melhoramentos no local até a sua morte em 1939.

            A Vila Andrade, que compreendia 23 alqueires de terra, e tinha um grande casarão – que se localizava onde hoje é a rua Rosa Sffeir – com jardins, açude e pomar, espalhados pela grande extensão da fazenda, foi vendida então, em 1939, aos irmãos José Jacob Antônio e Miguel Jacob Antônio, conceituados comerciantes libaneses, radicados em Juiz de Fora, com a firma José Jacob & Irmão, desde o início de 1900.

            A entrada para a propriedade dos Irmãos Jacob ficava na esquina da rua Vitorino Braga, nº 415 – onde fica o Grupo Escolar Duarte de Abreu com a Avenida Nossa Senhora do Líbano – que foi traçada cortando o centro da propriedade dos irmãos – atravessando-a por completo.

            Em 1949, os irmãos separaram a sociedade e tiveram que vender as terras, mas José Jacob Antônio ficou com o pedaço de terra onde estava o casarão da chácara, e onde já morava com a família, junto aos jardins, o açude e o pomar, além de uma área a esquerda da Avenida Nossa Senhora do Líbano, que destinou para a construção de uma capela sob a invocação de Nossa Senhora do Líbano.

            As terras restantes (23 alqueires) eles negociaram com o empreendedor de loteamentos, Alonso Ascensão de Oliveira, que já havia loteado outros bairros na cidade, inclusive o bairro Jardim Glória. Então começou o loteamento do populoso bairro Grajaú.

            José Jacob Antônio, que era membro da Irmandade do Sagrado Coração de Jesus, permaneceu residindo com sua família na velha e aprazível morada, até 1953, quando a transferiu para a Congregação dos Santos Anjos, que nela instalou um noviciado. Mais tarde a Congregação dos Santos Anjos construiu ao lado, um novo prédio onde funcionou o Ginásio Industrial, e hoje é uma instituição religiosa onde fica a agradável Casa de Repouso Madre Maria São Miguel. E ainda em 1953, José Jacob Antônio doou a Diocese de Juiz de Fora a referida área destinada à capela, que por decreto de 2 de fevereiro de 1960, de Dom Geraldo Maria de Morais Penido, foi elevada à categoria de Igreja Matriz Paróquia Nossa Senhora do Líbano.

            Este notável libanês, naturalizado brasileiro, que chegou sozinho ao Brasil com 16 anos, era casado com Nazira Nagen Jacob, com quem teve 7 filhos – todos Juizforanos – morreu em Juiz de Fora aos 85 anos de idade, em 1966.

            Foi neste velho e histórico casarão da chácara do Grajaú que, em 1950, nasceu o poeta José Antônio Jacob, neto de José Jacob Antônio, do qual transcrevemos o soneto abaixo.

O BEIJO DE JESUS

                                      (José Antônio Jacob)

Eu era criança, mas já percebia,
O pouco pão que havia em nossa mesa
E a aparência acanhada da pobreza
Que tinha a nossa casa tão vazia.                                 

De noite, antes do sono, uma certeza:
A minha mãe rezava a Ave-Maria!
E ao terminar a prece eu sempre via
No seu olhar uma esperança acesa.

Após a reza desligava a luz,
Beijava o crucifixo e a fé era tanta
Que adormecia perto de Jesus

Depois que ela dormia (isso que encanta)
Nosso Senhor descia ali da cruz
Para beijar a sua face santa…

* Material elaborado pela equipe de pesquisadores Bumerangue
por ocasião dos 50 anos do bairro Grajaú,
a pedido da Casa de Repouso Madre Maria São Miguel.