Mês: março 2019
Arquidiocese de Juiz de Fora envia equipes de padres a Brumadinho (MG)
Nos meses de março e abril, a Arquidiocese de Juiz de Fora enviará sacerdotes para o município de Brumadinho (MG), cuja população ainda sofre com as consequências do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão. O desastre, ocorrido em 25 de janeiro, deixou 203 mortos e 105 desaparecidos, além da devastação ambiental e prejuízos materiais.
A iniciativa, nomeada “Missão Solidariedade Brumadinho”, já tem previsto o envio de quatro grupos de padres. O primeiro deles viaja para a cidade da região metropolitana de Belo Horizonte nesta quarta-feira, 20 de março, e lá permanece até o dia 22. A equipe missionária é composta pelo vigário geral da Arquidiocese, Monsenhor Luiz Carlos de Paula, pelo vigário episcopal para o Mundo da Caridade, Padre José de Anchieta Moura Lima, e pelos padres Luiz Eduardo de Ávila e Felipe de Castro Costa.
A ida do segundo grupo, que contará com a presença do arcebispo metropolitano de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, está prevista para 29 de março. Com ele, estarão o vigário episcopal para Educação, Comunicação e Cultura, Padre Antônio Camilo de Paiva, e o diácono permanente Clesson Francisco Millen, que é psiquiatra.
Já os padres Erélis Camilo Resende de Paiva, Emerson de Assis Braz e Fernando Augusto Martins da Silva permanecem em Brumadinho de 31 de março a 2 de abril, quando a quarta equipe de sacerdotes já terá chegado ao local. O nosso administrador paroquial, padre Welington Nascimento de Souza, e o padre Wesley Carvalho Neves ficarão na cidade entre os dias 1º e 3 do próximo mês.
A ida das equipes tem o objetivo principal de prestar auxílio espiritual aos moradores de Brumadinho. Muitos perderam familiares, amigos e conhecidos na tragédia, e alguns não tiveram sequer a oportunidade de sepultá-los. Assim, todos os padres, assim como o diácono, estarão à disposição para visitas e celebrações na cidade, nos bairros e na zona rural. Além das palavras de consolo, os religiosos levarão consigo cartões com a “Bênção da Casa” para oferecer às famílias.
As visitas serão organizadas pelos padres Renê Lopes e Thiago Augusto da Costa Silva Lopes, pároco e vigário paroquial, respectivamente, da Paróquia São Sebastião, em Brumadinho.
*Fonte: site da Arquidiocese JF
**Foto: Danielle Quinelato
Dom Gil fala sobre Campanha da Fraternidade 2019 na Câmara Municipal de Juiz de Fora
Na tarde desta quinta-feira, 21 de março, o arcebispo metropolitano, Dom Gil Antônio Moreira, ocupará a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Juiz de Fora. Na ocasião, o arcebispo falará aos vereadores sobre o tema da Campanha da Fraternidade 2019, que é “Fraternidade e Políticas Públicas”.
A apresentação de Dom Gil está marcada para as 17h30, será aberta ao público e transmitida pela TV Câmara (canal 35). A sede do Legislativo Municipal fica na Rua Halfeld, 955 – Centro.
*Fonte: site da Arquidiocese JF
**Todos os anos o arcebispo metropolitano vai a Câmara Municipal de Juiz de Fora falar sobre a CF. Foto tirada na Tribuna Livre de 2017
Igreja terá 9 novos Beatos e 5 Veneráveis
Recebendo nesta terça-feira (19), em audiência, o card. Angelo Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, o Papa Francisco autorizou a promulgação dos novos Decretos que darão à Igreja nove novos Beatos e, com o reconhecimento das virtudes heroicas, cinco novos Veneráveis Servos de Deus.
Entre os Beatos, estão sete bispos mártires do regime comunista na Romênia e o missionário italiano Pime Alfredo Cremonesi, assassinado na Birmânia.
Os 9 novos Beatos
– Pelo milagre atribuído à intercessão da Venerável Serva de Deus Maria Emilia Riquelme y Zayas, Fundadora da Congregação das Irmãs Missionárias do Santíssimo Sacramento, e da Beata Maria Virgem Imaculada, nascida em Granada (Espanha) em 5 de agosto de 1847 e ali falecida em 10 de dezembro de 1940;
– Pelo martírio dos Servos de Deus Valerio Traiano Frenţiu, Vasile Aftenie, Giovanni Suciu, Tito Livio Chinezu, Giovanni Bălan, Alessandro Rusu e Giulio Hossu, bispos; assassinados por ódio à Fé em vários lugares da Romênia entre 1950 e 1970;
– Pelo martírio do Servo de Deus Alfredo Cremonesi, sacerdote professo do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras; nascido em Ripalta Guerina (Itália) em 16 de maio de 1902 e assassinado por ódio à Fé no vilarejo de Donoku (Myanmar) em 7 de fevereiro de 1953.
Os 5 novos Veneráveis Servos de Deus
– Pelas virtudes heroicas do Servo de Deus Francesco Maria Di Francia, sacerdote diocesano, Fundador da Congregação das Irmãs Capuchinhas do Sagrado Coração; nascido em Messina (Itália) em 19 de fevereiro de 1853 e falecido em Roccalumera (Itália) em 22 de dezembro de 1913;
– Pelas virtudes heroicas da Serva de Deus Maria Hueber, Fundadora da Congregação das Irmãs Terciárias de São Francisco; nascida em Bressanone (hoje Itália) em 22 de maio de 1653 e ali falecida a 31 de julho de 1705;
– Pelas virtudes heroicas da Serva de Deus Maria Teresa Camera, Fundadora da Congregação das Filhas de Nossa Senhora da Piedade; nascida em Ovada (Itália) em 8 de outubro de 1818 e ali falecida a 24 de março de 1894;
– Pelas virtudes heroicas da Serva de Deus Maria Teresa Gabrieli, Co-fundadora da Congregação das Irmãs das Pobrezinhas – Instituto Palazzolo; nasceu em Bérgamo (Itália) no dia 13 de setembro de 1837 e ali morreu no dia 6 de fevereiro de 1908;
– Pelas virtudes heroicas da Serva de Deus Giovanna Francesca do Espírito Santo (nome de nascimento, Luisa Ferrari), Fundadora do Instituto das Irmãs Franciscanas Missionárias do Verbo Encarnado; nascida em Reggio Emilia (Itália) em 14 de setembro de 1888 e falecida em Fiesole (Itália) em 21 de dezembro de 1984.
Padre Alfredo Cremonesi, mártir em Myanmar
Entre os novos Beatos está o padre Alfredo Cremonesi, missionário do PIME na Birmânia (Myanmar), assassinado em 7 de fevereiro de 1953 no seu vilarejo de Donokù. Foi imediatamente invocado como “mártir”, porque deu a sua vida pelo seu rebanho. Tinha sido convidado a retirar-se de um lugar muito perigoso: ficou com o seu povo pagando com a sua vida.
Três foram os motivos para a sua próxima beatificação: o padre Cremonesi era, antes de mais nada, um missionário santo. O martírio foi um dom de Deus a um homem que já era todo seu: oração, mortificação, doação total ao próximo mais pobre e abandonado. Os santos nunca envelhecem. O padre Alfredo era também um missionário moderno. Ele tinha um conceito avançado de missão (para aqueles tempos): diz-nos que devemos sempre olhar em frente, estar abertos às coisas novas que o Espírito suscita na Igreja, mesmo que perturbem a nossa preguiça.
Enfim, ele era um autêntico missionário, projetado para tribos não-cristãs para anunciar Cristo. Grande viajante, percorria longas distâncias quase sempre a pé, entre guerrilheiros e ladrões, e se adaptava à vida das pessoas locais, com grande espírito de sacrifício.
*Fonte: Site do Vatican News
Diocese celebra missas de 7º dia pelas vítimas do atentado em Suzano
Nesta terça-feira (19), as missas nas paróquias e comunidades da Diocese de Mogi das Cruzes (SP) terão como intenção o 7º dia das vítimas do atentado ocorrido na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP). O ataque ao colégio aconteceu na última quarta-feira (13) e resultou na morte de oito pessoas. Os atiradores também morreram na ação.
O vigário geral da diocese, Padre Antonio Robson Gonçalves, MSJ, presidirá a celebração diocesana nesta intenção. A missa ocorrerá às 19h30, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima. Na Igreja Matriz de São Sebastião, em Suzano, a celebração de 7º dia será na quarta-feira (20), às 19h30, e será presidida pelo pároco, Padre Claudio Taciano.
Em solidariedade às vítimas e à Diocese de Mogi das Cruzes, o cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, celebrou na segunda-feira (18) uma missa em comunhão na mesma intenção, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Assunção de São Paulo (Catedral da Sé).
*Fonte: Site da Canção Nova
**Foto: El País
Comunidade Propedêutica é instalada na Paróquia Nossa Senhora do Líbano, em Juiz de Fora
Na noite do último domingo, 10 de março, o arcebispo metropolitano de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, presidiu a Santa Missa na Paróquia Nossa Senhora do Líbano, no Bairro Grajaú. O motivo da visita do pastor foi a instalação da comunidade propedêutica, que será coordenada pelo administrador paroquial, Padre Welington Nascimento.
O sacerdote será responsável pela preparação, no período de um ano, de três jovens seminaristas que, após esta etapa, poderão ingressar nos cursos de Filosofia e Teologia do Seminário Arquidiocesano Santo Antônio. São eles: Gabriel Antônio de Oliveira, de São João da Serra (distrito de Santos Dumont/MG); Tarick David Silva Cardoso, de Juiz de Fora; e Matheus Aguiar S. Souza, de Santana do Garambéu/MG.
Padre Welington demonstrou-se satisfeito com a instalação da comunidade propedêutica na paróquia. “É com muita alegria que acolhemos estes três seminaristas. Eles vão morar aqui na paróquia, receber a formação do Seminário e serão inseridos no trabalho pastoral. Atendemos o pedido do nosso arcebispo com muita satisfação, pois ficamos muito honrados em poder ajudar na formação de futuros padres”.
Dom Gil ressaltou a importância desta fase de preparação. “Este ano temos três seminaristas na comunidade propedêutica. Eles ficarão aqui na paróquia durante um ano, se preparando através da oração, do serviço pastoral e do contato com o povo. É um momento importante para a Arquidiocese. Pedimos, portanto, as orações de todos pelas vocações sacerdotais em nossa Igreja Particular”.
Fonte: site da Arquidiocese JF com colaboração de Leandro Novaes
Mensagem do Papa para o 56° Dia Mundial de Oração pelas Vocações
Foi publicada, no último sábado (9), a mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que ocorrerá no próximo dia 12 de maio, IV Domingo da Páscoa, sobre o tema: “A coragem de arriscar pela promessa de Deus”.
No início da sua Mensagem, o Papa recordou os dois grandes eventos que se realizaram recentemente na Igreja: o Sínodo dedicado aos jovens, em outubro de 2018, e a 34ª Jornada Mundial da Juventude no Panamá. Estes dois eventos permitiram à Igreja dar ouvidos à voz do Espírito e também à voz dos jovens, aos seus interrogativos, às suas fadigas e esperanças.
Por isso, neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações, Francisco retoma o que partilhou com os jovens no Panamá e reflete sobre a chamada do Senhor, que torna os cristãos portadores de uma promessa e, ao mesmo tempo, pede coragem de arriscar com Ele e por Ele. Logo, promessa e risco: dois aspectos que o Papa propõe aos jovens ao contemplar o trecho evangélico da vocação dos primeiros discípulos às margens do Lago da Galileia.
O Santo Padre conclui a sua Mensagem com um apelo: “Não sejam surdos à chamada do Senhor! Se Ele os chamar, não se oponham, mas confiem nele. Não se deixem contagiar pelo medo, que nos paralisa, diante da proposta do Senhor. Lembrem-se sempre que o Senhor promete, aos que deixam tudo para segui-lo, a alegria de uma vida nova, que enche o coração e anima nosso caminho”.
Confira a íntegra da Mensagem do Papa para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações:
A coragem de arriscar pela promessa de Deus
Queridos irmãos e irmãs!
Depois da experiência vivaz e fecunda, em outubro passado, do Sínodo dedicado aos jovens, celebramos recentemente no Panamá a XXXIV Jornada Mundial da Juventude. Dois grandes eventos que permitiram à Igreja prestar ouvidos à voz do Espírito e também à vida dos jovens, aos seus interrogativos, às canseiras que os sobrecarregam e às esperanças que neles vivem.
Neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações, retomando precisamente aquilo que pude partilhar com os jovens no Panamá, desejo refletir sobre a chamada do Senhor enquanto nos torna portadores duma promessa e, ao mesmo tempo, nos pede a coragem de arriscar com Ele e por Ele. Quero deter-me brevemente sobre estes dois aspetos – a promessa e o risco –, contemplando juntamente convosco a cena evangélica da vocação dos primeiros discípulos junto do lago da Galileia (cf. Mc 1, 16-20).
Dois pares de irmãos – Simão e André, juntamente com Tiago e João – estão ocupados na sua faina diária de pescadores. Nesta cansativa profissão, aprenderam as leis da natureza, desafiando-as quando os ventos eram contrários e as ondas agitavam os barcos. Em certos dias, a pesca abundante recompensava da árdua fadiga, mas, outras vezes, o trabalho duma noite inteira não bastava para encher as redes e voltava-se para a margem cansados e desiludidos.
Estas são as situações comuns da vida, onde cada um de nós se confronta com os desejos que traz no coração, se empenha em atividades que – espera – possam ser frutuosas, se adentra num «mar» de possibilidades sem conta à procura da rota certa capaz de satisfazer a sua sede de felicidade. Às vezes goza-se duma pesca boa, enquanto noutras é preciso armar-se de coragem para governar um barco sacudido pelas ondas, ou lidar com a frustração de estar com as redes vazias.
Como na história de cada vocação, também neste caso acontece um encontro. Jesus vai pelo caminho, vê aqueles pescadores e aproxima-Se… Sucedeu assim com a pessoa que escolhemos para compartilhar a vida no matrimónio, ou quando sentimos o fascínio da vida consagrada: vivemos a surpresa dum encontro e, naquele momento, vislumbramos a promessa duma alegria capaz de saciar a nossa vida. De igual modo naquele dia, junto do lago da Galileia, Jesus foi ao encontro daqueles pescadores, quebrando a «paralisia da normalidade» (Homilia no XXII Dia Mundial da Vida Consagrada, 2/II/2018). E não tardou a fazer-lhes uma promessa: «Farei de vós pescadores de homens» (Mc 1, 17).
Sendo assim, a chamada do Senhor não é uma ingerência de Deus na nossa liberdade; não é uma «jaula» ou um peso que nos é colocado às costas. Pelo contrário, é a iniciativa amorosa com que Deus vem ao nosso encontro e nos convida a entrar num grande projeto, do qual nos quer tornar participantes, apresentando-nos o horizonte dum mar mais amplo e duma pesca superabundante.
Com efeito, o desejo de Deus é que a nossa vida não se torne prisioneira do banal, não se deixe arrastar por inércia nos hábitos de todos os dias, nem permaneça inerte perante aquelas opções que lhe poderiam dar significado. O Senhor não quer que nos resignemos a viver o dia a dia, pensando que afinal de contas não há nada por que valha a pena comprometer-se apaixonadamente e apagando a inquietação interior de procurar novas rotas para a nossa navegação. Se às vezes nos faz experimentar uma «pesca miraculosa», é porque nos quer fazer descobrir que cada um de nós é chamado – de diferentes modos – para algo de grande, e que a vida não deve ficar presa nas redes do sem-sentido e daquilo que anestesia o coração. Em suma, a vocação é um convite a não ficar parado na praia com as redes na mão, mas seguir Jesus pelo caminho que Ele pensou para nós, para a nossa felicidade e para o bem daqueles que nos rodeiam.
Naturalmente, abraçar esta promessa requer a coragem de arriscar uma escolha. Sentindo-se chamados por Ele a tomar parte num sonho maior, os primeiros discípulos, «deixando logo as redes, seguiram-No» (Mc 1, 18). Isto significa que, para aceitar a chamada do Senhor, é preciso deixar-se envolver totalmente e correr o risco de enfrentar um desafio inédito; é preciso deixar tudo o que nos poderia manter amarrados ao nosso pequeno barco, impedindo-nos de fazer uma escolha definitiva; é-nos pedida a audácia que nos impele com força a descobrir o projeto que Deus tem para a nossa vida. Substancialmente, quando estamos colocados perante o vasto mar da vocação, não podemos ficar a reparar as nossas redes no barco que nos dá segurança, mas devemos fiar-nos da promessa do Senhor.
Penso, antes de mais nada, na chamada à vida cristã, que todos recebemos com o Batismo e que nos lembra como a nossa vida não é fruto do acaso, mas uma dádiva a filhos amados pelo Senhor, reunidos na grande família da Igreja. É precisamente na comunidade eclesial que nasce e se desenvolve a existência cristã, sobretudo por meio da Liturgia que nos introduz na escuta da Palavra de Deus e na graça dos Sacramentos; é nela que somos, desde tenra idade, iniciados na arte da oração e na partilha fraterna. Precisamente porque nos gera para a vida nova e nos leva a Cristo, a Igreja é nossa mãe; por isso devemos amá-la, mesmo quando vislumbramos no seu rosto as rugas da fragilidade e do pecado, e devemos contribuir para a tornar cada vez mais bela e luminosa, para que possa ser um testemunho do amor de Deus no mundo.
Depois, a vida cristã encontra a sua expressão naquelas opções que, enquanto conferem uma direção concreta à nossa navegação, contribuem também para o crescimento do Reino de Deus na sociedade. Penso na opção de se casar em Cristo e formar uma família, bem como nas outras vocações ligadas ao mundo do trabalho e das profissões, no compromisso no campo da caridade e da solidariedade, nas responsabilidades sociais e políticas, etc. Trata-se de vocações que nos tornam portadores duma promessa de bem, amor e justiça, não só para nós mesmos, mas também para os contextos sociais e culturais onde vivemos, que precisam de cristãos corajosos e testemunhas autênticas do Reino de Deus.
No encontro com o Senhor, alguém pode sentir o fascínio duma chamada à vida consagrada ou ao sacerdócio ordenado. Trata-se duma descoberta que entusiasma e, ao mesmo tempo, assusta, sentindo-se chamado a tornar-se «pescador de homens» no barco da Igreja através duma oferta total de si mesmo e do compromisso dum serviço fiel ao Evangelho e aos irmãos. Esta escolha inclui o risco de deixar tudo para seguir o Senhor e de consagrar-se completamente a Ele para colaborar na sua obra. Muitas resistências interiores podem obstaculizar uma tal decisão, mas também, em certos contextos muito secularizados onde parece não haver lugar para Deus e o Evangelho, pode-se desanimar e cair no «cansaço da esperança» (Homilia na Missa com sacerdotes, pessoas consagradas e movimentos laicais, Panamá, 26/I/2019).
E, todavia, não há alegria maior do que arriscar a vida pelo Senhor! Particularmente a vós, jovens, gostaria de dizer: não sejais surdos à chamada do Senhor! Se Ele vos chamar por esta estrada, não vos oponhais e confiai n’Ele. Não vos deixeis contagiar pelo medo, que nos paralisa à vista dos altos cumes que o Senhor nos propõe. Lembrai-vos sempre que o Senhor, àqueles que deixam as redes e o barco para O seguir, promete a alegria duma vida nova, que enche o coração e anima o caminho.
Queridos amigos, nem sempre é fácil discernir a própria vocação e orientar justamente a vida. Por isso, há necessidade dum renovado esforço por parte de toda a Igreja – sacerdotes, religiosos, animadores pastorais, educadores – para que se proporcionem, sobretudo aos jovens, ocasiões de escuta e discernimento. Há necessidade duma pastoral juvenil e vocacional que ajude a descobrir o projeto de Deus, especialmente através da oração, meditação da Palavra de Deus, adoração eucarística e direção espiritual.
Como várias vezes se assinalou durante a Jornada Mundial da Juventude do Panamá, precisamos de olhar para Maria. Na história daquela jovem, a vocação também foi uma promessa e, simultaneamente, um risco. A sua missão não foi fácil, mas Ela não permitiu que o medo A vencesse. O d’Ela «foi o “sim” de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da certeza de saber que é portadora duma promessa. Pergunto a cada um de vós: sentes-te portador duma promessa? Que promessa trago no meu coração, devendo dar-lhe continuidade? Maria teria, sem dúvida, uma missão difícil, mas as dificuldades não eram motivo para dizer “não”. Com certeza teria complicações, mas não haveriam de ser idênticas às que se verificam quando a covardia nos paralisa por não vermos, antecipadamente, tudo claro ou garantido» (Vigília com os jovens, Panamá, 26/I/2019).
Neste Dia, unimo-nos em oração pedindo ao Senhor que nos faça descobrir o seu projeto de amor para a nossa vida, e que nos dê a coragem de arriscar no caminho que Ele, desde sempre, pensou para nós.
Vaticano, Memória de São João Bosco, 31 de janeiro de 2019.
Franciscus
*Fonte: Site do Vatican News
**Foto: Papa Francisco com as Missionárias do Sagrado Coração de Jesus (Servizio Fotografico Osservatore Romano)
Mulheres do Terço perfumam o Santuário de Aparecida com sua oração
A cor rosa tomou conta do Santuário de Aparecida no último sábado (9). A 6ª Romaria do Terço das Mulheres reuniu mais de oito mil mulheres de muitos Estados do Brasil, para a alegria de celebrar e agradecer as bênçãos alcançadas a partir da oração perseverante do Santo Terço.
Acolhida na Tribuna Bento XVI
As mulheres do terço foram recebidas na Casa da Mãe com uma acolhida especial na Tribuna Bento XVI. Naquele momento, elas cantaram, confraternizaram e expressaram a animação de perfumar o mundo com a sua oração, assim como é cantado no hino oficial da Romaria.
Santa Missa
Às 9h, os grupos participaram da Santa Missa, presidida pelo Arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, e concelebrada por diversos padres que acompanham o movimento do grupo de Terço das Mulheres nas comunidades, paróquias e arquidioceses. Em torno do Altar Central, milhares de mulheres acenavam com os lenços cor de rosa, durante o canto do hino da Romaria, que foi apresentado pelo grupo Cantores de Deus e, na sequência, a entrada da imagem da Mãe Aparecida.
Dom Orlando, em sua homilia, expressou que as mulheres são alegria para Nossa Senhora, são alegria para sua família e comunidade, pois, pela oração do Santo Terço, testemunham a disponibilidade de viver a busca por uma vida de santidade.
Comentando a liturgia de sábado, Dom Orlando lembrou a misericórdia de Deus, afirmando que, fortalecidas pela oração do terço, todas as mulheres são convidadas a olharem pelos pecadores. “Mulheres do terço, voltem-se para os pecadores, porque lá em Fátima, Nossa Senhora diz: rezem o terço para a conversão dos pecadores, rezem o terço como penitência por todos nós, para a nossa santificação. Rezem o terço como reparação dos pecados da humanidade”.
O Arcebispo afirmou ainda que, pela oração do terço, a Igreja Católica do Brasil vai conseguir ser mais discípula e missionária, pois em cada um dos mistérios refletidos, os cristãos são chamados a viverem a ação. Para uma melhor compreensão, Dom Orlando deu alguns exemplos: na reflexão dos mistérios gozosos, somos enviados a levar alegria a todos aqueles que sofrem e estão tristes; nos mistérios dolorosos, a serem força e confiança no amor de Deus; nos mistérios luminosos, a ser luz no mundo e, nos mistérios gloriosos, a levarem esperança e fé na ressurreição.
No fim da celebração, as coordenadoras da Comissão Nacional da Romaria do Terço das Mulheres foram convidadas a se consagrarem à Nossa Senhora Aparecida, para revigorarem a missão de motivar o trabalho dos grupos em suas cidades.
Assembleia
A programação da Romaria se estendeu durante todo o dia. No auditório Noé Sotillo, localizado no subsolo do Santuário, as coordenadoras e auxiliares dos grupos de Terço das Mulheres de todo o Brasil foram recebidas pelo Irmão Alan Patrick Zuccherato, a apresentadora do Bênção da Noite, Jéssica Fernandes, o Arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, o prefeito de Igreja do Santuário, padre João Paulo de Oliveira Ramos e o missionário redentorista padre Lucas Emanuel.
No período da tarde, o momento mais aguardado da programação da 6ª Romaria aconteceu. Os grupos reuniram-se no Altar Central para, em uma só voz, rezarem o Santo Terço. Logo após, foi realizado o sorteio da Imagem Peregrina de Nossa Senhora Aparecida.
O grupo contemplado foi da Paróquia Bom Jesus de Matosinhos, de São João del-Rei (MG), representado pela coordenadora Tatiane Aparecida da Silva e pela coordenadora diocesana, Angerica Souza. A imagem permanecerá no grupo durante todo o ano de 2019, retornando para o Santuário na próxima Romaria do Terço das Mulheres, que acontecerá no dia 14 de março de 2020, para ser acolhida por outro grupo sorteado.
*Fonte: A12.com
*Foto: Momento de oração do Santo Terço no Altar Central. Thiago Leon
Brumadinho, até quando?
Faz um mês. É de cortar o coração. As imagens são impressionantes e fazem chorar. É sofrimento a céu aberto. A angústia das famílias, das pessoas, da comunidade, da cidade inteira, de um Estado e de um País, que já haviam assistido cenas parecidas, há três anos, interroga à mente: até quando? O massacre foi cruel, crudelíssimo! Há, contudo, um cenário que é invisível: o que se passa na mente e no coração de quem perdeu entes queridos, e pior, que os perdeu e os corpos não foram achados. Este drama somente os travesseiros podem perceber. A angústia fere mais depois que a imprensa foi embora, os socorristas estão longe e o silêncio invadiu a noite. Até quando? O desastre, que poderia ter sido evitado, destruiu de forma irreparável as casas das famílias, construídas com sacrifícios de muitos anos, grande parte da natureza, do rio, de mais de cem ou duzentas pessoas que não voltaram para casa e nunca mais farão este caminho. A busca hercúlea dos bombeiros, dos trabalhadores, dos voluntários na ânsia de encontrar corpos para que possam ser sepultados dignamente, religiosamente, assusta a mente dos comodistas ou derrotistas. Mas, até quando? Todos os corações sensíveis, movidos pela fé e pelo amor ao próximo, não se darão o direito de ficar parados. Ao menos um pouco cada um pode fazer. Ao imaginar que, aos poucos, as notícias cessarão, o assunto ficará cada vez mais reduzido às estreitas fronteiras do local do acidente, as soluções e as reparações que a empresa responsável demorará a cumprir, fico a pensar: até quando? Até quando as visitas humanitárias, fraternais perdurarão?
Certamente, os feridos no corpo ou na alma, derramarão lágrimas furtivas, e terão espadas de dor atravessadas na alma que poucos perceberão. Até quando? Bem-aventurados os que, após o silenciar da mídia, continuarão a ser solidários e não cessarão de agir como irmão oferecendo seus braços para ajudar e seus ombros para alguém chorar.
Impressiona à alma a programação celebrativa deste final de semana, na Paróquia de São Sebastião de Brumadinho que, nos três últimos dias reúne fiéis, do alvorecer à noite, para orar, ouvir a Palavra de Deus, comungar o Corpo do Senhor, afinal celebrar a dor e a vitória do espírito sobre o mal e a morte. É fundamental clamar a Deus, agarrar-se a ele, agradecer-lhe pela sua atenção nestes momentos que parecem não ter fim.
A presença do Núncio Apostólico, embaixador no Papa no Brasil, para a Missa deste dia 25, significará a esperança da Igreja que crê na ressurreição e superação de todo erro, eliminando afinal, a força inexorável da morte. “Onde está tua vitória, ó morte? ” (Oz 13,14)
Dia 27, representantes do episcopado mineiro se reunião com o Governador do Estado, Romeu Zema e estudarão medidas para acudir as famílias, e ver atitudes preventivas para que não aconteçam mais desastres evitáveis, com ninguém.
Protestos e clamores invadem ruas da capital mineira, percorrem vales e colinas, chamando à atenção pela despreocupação com os seres humanos, dos que parecem visar apenas o lucro. Vale e outros. A estes, Cristo proclama novamente: “Ai de vós, ricos, porque já recebestes vossa consolação” (Lc 6,24). Virgílio grita outra vez “auri sacra fames” protestando contra a execranda fome pelo vil metal.
Até quando! Certamente esta pergunta soará como ostinato nos peitos dos que sofrem, dos que socorrem, dos que creem, dos que amam, dos que são inconformados com as injustiças e não se darão ao luxo de ficar parados diante de tragédias, vendo os que morrem, sofrendo com os que sofrem.
Ergo os olhos para o céu e rezo com todo as vísceras do meu ser: “Do abismo profundo, clamo a vós, Senhor! Escuta meu clamor. Que teus ouvidos estejam atentos ao clamor da minha prece. ”
É forçoso concluir com a vítimas do lamaçal: sei que um dia viverei na terra dos vivos e cantarei as alegrias do meu povo, louvando livremente o Senhor!
Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora