Semana Santa: Dom Gil divulga orientações para o Clero e o povo de Deus

O Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, divulgou, nesse domingo (29), as orientações que o Clero arquidiocesano e os fiéis deverão seguir nas celebrações da Semana Santa. No comunicado, o Pastor ressalta que todas as determinações estão em sintonia com indicações das autoridades sanitárias do País, do Estado e do Município por conta da disseminação do novo coronavírus e, também, com as diretrizes do II Sínodo Arquidiocesano.

No texto, Dom Gil indica normas gerais e particulares a serem seguidas durante o Setenário das Dores – iniciado nesse 29 de março – e na Semana Santa, que começa no próximo dia 5 de abril, Domingo de Ramos. Ele indica o seguimento do Decreto da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos da Santa Sé, enviado a toda a Igreja em 19 de março e atualizado no dia 25.

No comunicado, o Arcebispo reitera que a Semana Santa acontecerá, porém com as limitações que o momento atual pede. “A celebração da Páscoa do Senhor, precedida pela Quaresma e vivenciada na Semana Santa, constitui o ponto máximo da Liturgia Cristã, não havendo nenhuma outra celebração mais importante que ela durante o ano. O Tríduo Pascal não pode ser celebrado em outra ocasião, devendo obedecer a data prevista no calendário litúrgico anual em todo o mundo.”

Dom Gil, no entanto, pede que as celebrações sejam transmitidas através da internet e exorta o povo de Deus a acompanhá-las com fé. “Todos os fiéis devem ficar em casa e não procurar as Igrejas, pois estas estarão fechadas enquanto durar a ordem pública de isolamento social, sendo as celebrações internas feitas com pouquíssimas pessoas escolhidas pelo Pároco, necessárias ao ato litúrgico. Nesta hora, a Igreja está presente nos lares. Aí se realiza a Igreja Doméstica.”

Ainda falando aos fiéis, o Arcebispo Metropolitano indica que as Missas acompanhadas pelos meios de comunicação não devem ser tratadas como qualquer conteúdo de entretenimento. “Da mesma forma, as pessoas que participam de casa tenham sempre a preocupação de não apenas assistir às celebrações como se fossem um programa midiático, mas revistam-se de verdadeira contrição e espírito participativo. Na medida do possível, reúnam a família para participar juntos. Para estes momentos, pode-se preparar a casa com um pequeno altar e, sobretudo, desliguem-se todos os demais aparelhos de celulares, televisores e outros que possam perturbar a espiritualidade do ato sagrado. No momento eucarístico das Missas, façam a Comunhão Espiritual, enquanto não se pode recebê-la sacramentalmente.”

Em consonância com o que disse Papa Francisco na última semana sobre a confissão sacramental, Dom Gil afirma que, no período em que vigorar o isolamento social por conta da pandemia, “o fiel procure fazer seu ato de contrição sincero diante de Deus e busque o Sacramento da Reconciliação tão logo passe este tempo de provação”.

Por fim, o Pastor pede que, mesmo não sendo possível vivenciar de forma presencial a Semana Santa, ponto alto da fé cristã, que ela seja participada com amor a Deus e ao próximo. “Vivenciando a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor da forma que nos revelam as Sagradas Escrituras, celebrando desta forma tão especial, este ano, a nossa Páscoa. Procuremos acolher no coração os aspectos positivos e belos que Deus está nos proporcionando com esta experiência tão diferente, neste tempo tão especial de provações e de bênçãos.”

Atos de fé na Semana Santa

Mesmo na impossibilidade de participar das Missas e atos litúrgicos durante a Semana Santa, o Arcebispo de Juiz de Fora indica atitudes que os católicos podem lançar mão para demonstrar a importância dos dias que se seguirão. No Domingo de Ramos, por exemplo, Dom Gil pede que os fiéis coloquem nas portas, varandas ou janelas de seus lares um ou vários ramos, como sinal de comunhão de fé com toda a Igreja.

Na Segunda, Terça e Quarta-feira Santas, as famílias podem enfeitar suas residências com uma cruz ou crucifixo ornado com um pano roxo. Durante o Tríduo Pascal, que começa na Quinta-feira à noite, o tecido deve ser substituído pelo vermelho, que permanecerá até antes da Vigília Pascal, quando deverá dar lugar a um pano branco.

Na Sexta-feira da Paixão, Dom Gil pede que sejam feitas, às 15h, em todas as Igrejas matrizes, a Ação Litúrgica da Morte do Senhor. Na ocasião, deverá ser omitido o tradicional “beijo na Cruz” e incluída, nas orações, uma prece pelos que padecem a pandemia da Covid-19. Por fim, no Domingo de Páscoa, o Arcebispo pede que os sinos das igrejas sejam tocados de forma festiva às 6h, 12h e 18h, anunciando a alegria da Ressurreição do Senhor.

Clique aqui e confira a íntegra do comunicado.

Fonte: Site da Arquidiocese de Juiz de Fora

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Confira dias e horários das missas transmitidas pelas emissoras de inspiração católica

A pandemia do novo coronavírus fez com que uma mudança de hábitos fosse imposta ao povo brasileiro. Em nome da preservação da saúde, do cuidado com o dom da vida, a orientação das autoridades de saúde acolhidas pela Igreja é que sejam evitadas aglomerações e mantido o isolamento social. Essas medidas impactam, principalmente, os mais idosos na participação da Santa Missa. Na impossibilidade de participação presencial, as celebrações pelos meios de comunicação ganham mais relevância.

O Assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Padre Leonardo José Pinheiro – pertencente ao clero da Arquidiocese de Juiz de Fora -, recorda que há, na orientação dos bispos, a dispensa da obrigatoriedade de participar fisicamente das celebrações dominicais nas comunidades. As missas nos meios de comunicação, segundo o sacerdote, “se tornam, ainda mais neste momento, instrumentos eficazes de ‘reunir’ todos, cada um em suas casas, sobretudo os idosos, em torno da Palavra de Deus”.

“Todos são chamados, mesmo não comungando concretamente como fariam se estivessem nas celebrações, a fazer sua comunhão espiritual, isto é, unirem seu coração com toda a Igreja, cultivando o desejo de estar recebendo o corpo do Senhor e juntando sua prece às preces de toda a Igreja, sobretudo para que se supere logo este momento da pandemia que estamos enfrentando. Estaremos assim unidos pela força da fé e pelas ondas dos meios de comunicação”, orienta o Assessor da Comissão para a Liturgia da CNBB.

Outra forma de estar em oração e em sintonia com a Igreja é por meio da meditação da Liturgia Diária, sozinho ou em família. “Mas é bom lembrar: sem aglomerações ou sem reunir gente de fora”, destaca Padre Leonardo. Neste Tempo da Quaresma, além da liturgia do dia, é possível intensificar a leitura e a meditação da Palavra de Deus, o terço e a Via-Sacra.

A Pastoral da Comunicação (Pascom Brasil) fez um levantamento junto às emissoras de televisão de inspiração católica para divulgar dias e horários das missas televisionadas. Algumas delas também oferecem a transmissão pela internet. A partir desta sexta-feira (20), a WebTV “A Voz Católica”, da Arquidiocese de Juiz de Fora, transmitirá diariamente, ao vivo, pelo Youtube e Facebook, duas missas diretamente da Catedral: às 12h e 19h.

Confira a lista de emissoras e seus respectivos horários de missas:

WebTV “A Voz Católica”
Segunda-feira a domingo: 12h e 19h

TV Aparecida
Domingo: 8h e 18h (Missa de Aparecida)
Segunda a sexta-feira: 6h45, 9h e 18h (Missa de Aparecida)
Sábado: 6h45 (Missa de Bom Jesus da Lapa) / 9h e 18h (Missa de Aparecida)

TV Canção Nova
Domingo a domingo: 7h (Santuário Pai das Misericórdias)
Segunda-feira: 7h (Santuário), 15h30 (Santuário), 19h30 (Paróquia Santa Cândida-SP)
Terça, quarta e sexta-feira: 7h e 20h (Santuário)
Quinta: 7h, 16h30 (Santuário) e 20h (TV CN de Aracaju)

TV Evangelizar
Domingo: 8h, 11h e 18h
Segunda, terça e quarta-feira: 7h30, 12h e 16h30
Quinta-feira: 7h30, 12h e 20h
Sexta-feira: 7h30, 12h e 19h
Sábado: 19h

TV Horizonte
Domingo: 8h e 15h
Segunda a sexta-feira: 9h e 15h
Sábado: 15h

TV Pai Eterno
Segunda a sexta-feira: 7h e 19h30
Quarta-feira: 9h e 19h30
Sábado: 7h e 17h30
Domingo: 6h, 8h, 10h e 17h30

Rede Século 21
Domingo: 8h
Segunda a quinta-feira: 7h45
Sexta-feira: 7h45 e 19h30
Sábado: 7h45

Rede Vida
Segunda a sexta-feira: 19h10 (Missa do Santuário da Vida)
Segunda e quinta-feira: 9h (Missa de Aparecida)
Terça-feira: 9h (Missa de Nossa Senhora da Piedade)
Quarta-feira: 6h55 (Missa Fazenda da Esperança) e 9h (Missa do Divino Pai Eterno)
Sexta-feira: 9h (Missa de Nazaré) e 19h (Missa de São Francisco das Chagas)
Segunda, terça, quinta e sexta-feira: 6h55 (Missa do Divino Pai Eterno)
Sábado: 6h55, 17h30 (Missa do Divino Pai Eterno) e 15h (Missa Santuário Nossa Senhora Mãe de Deus)
Domingo: 8h (Missa do Santuário da Vida) e 17h30 (Missa do Divino Pai Eterno)

*Com informações do site da Arquidiocese de Juiz de Fora e CNBB

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Coronavírus: Dom João Justino presta solidariedade às famílias enlutadas e aos infectados

As últimas semanas trouxeram uma preocupação a mais para todos. Trata-se do novo coronavírus, identificado como COVID–19, descoberto no final do ano passado após casos registrados na China, e que se espalhou por boa parte do mundo e já chegou ao Brasil. Segundo o arcebispo de Montes Claros (MG), dom João Justino de Medeiros Silva, esse triste fato permite entender melhor a globalização. “Em poucos dias um vírus se espalha pelo mundo e desestabiliza economias fortes e, além de mortes, produz inúmeros outros problemas para as localidades com pessoas infectadas. É fundamental seguir as instruções de prevenção. Nossa solidariedade às famílias enlutadas e aos infectados”, disse.

Conforme o arcebispo a gravíssima situação nos faz meditar sobre outros tipos de “vírus”, mais comuns e sorrateiros, presentes entre nós. “O consumismo é uma doença que está na estrutura da sociedade de mercado. Ele se aproveita das vulnerabilidades do ser humano, tais como a busca incansável do conforto e o insaciável desejo de possuir mais”, comenta o bispo.

De acordo com ele, o consumismo é capaz de destruir relações familiares e de amizade, carreiras de sucesso e tornar pessoas escravas das diversas formas de crédito pessoal. “Nesse caso, a vacina é conhecida e eficaz. Chama-se sobriedade. Mas poucos a procuram. Preferem o risco da exposição”, aponta dom João Justino.

Ainda segundo dom João Justino, como o do consumismo, há outro vírus, também muito danoso para a integridade humana. “Foi Papa Francisco quem o nomeou. Chama-se autorreferencialidade. Ele ataca a capacidade da pessoa de reconhecer os outros e a faz dobrar-se sobre si mesma, tornando-se egocêntrica”, explica. Aqueles que são contaminados, segundo dom Justino, perdem a sensibilidade para as questões sociais e quando são solidários, fazem-no pela vaidade de serem reconhecidos e aplaudidos:

“Procuram seus nomes nas colunas sociais e chateiam-se quando não são saudados com elogios. Nos momentos mais parcos não hesitam em agir com egoísmo. Também para esse vírus é conhecida a vacina. Seu nome é altruísmo. Há pessoas cujo estilo de vida as deixou imunizadas para esse vírus. Uma delas é bastante conhecidaSanta Dulce dos Pobres”.

Outro vírus que tem contaminado muita gente, inclusive cristãos que se pensavam imunes, conforme o bispo, é o ódio dos outros. “Ele faz a pessoa defender o uso das armas como solução para a falta de segurança”, indica. Ainda de acordo com ele, o ódio obscurece de tal maneira o senso crítico da pessoa infectada que ela sequer desconfia de informações recebidas sem fonte confiável e espalha logo as fake news, independente do que seja. “Deixa a pessoa incapaz de dialogar com adversários políticos e a faz preferir a falta de liberdade ao invés de defender a democracia e o estado de direito”, garante o bispo.

Quando cristãos, dom João Justino afirma que a vacina conhecida é o evangelho de Jesus Cristo e a doutrina social da Igreja. Contudo, aponta que o tratamento é mais difícil quando a pessoa é acometida de um exagerado esvaziamento do espírito, a chamada “esquizofrenia espiritual”. “Há diversos outros vírus que destroem a humanidade. Todos nós devemos tomar as cautelas a fim de preveni-los e combatê-los”, finalizou.

Fonte: Site da CNBB

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“Jovem, Eu te digo, levanta-te!”: divulgada Mensagem do Papa Francisco para a JMJ 2020

Foi divulgada nesta quinta-feira, 5 de março, a mensagem do Papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude deste ano, a ser celebrada no Domingo de Ramos, 5 de abril. O tema deste ano abre um trio de reflexões que culminará na Jornada Mundial da Juventude de Lisboa, em 2022, e tem como verbo comum nas três passagens bíblicas “levantar-se”. “Esta palavra possui também o significado de ressuscitar, despertar para a vida”, segundo o Papa e é um verbo frequente na Exortação Christus vivit (Cristo vive), fruto do Sínodo para a Juventude, em 2018.

Foto: Flickr Synod of Bishops

«Jovem, Eu te digo, levanta-te! (cf. Lc 7, 14)» é o tema da Jornada para este ano de 2020. “Numa cultura que quer os jovens isolados e debruçados sobre mundos virtuais, façamos circular esta palavra de Jesus: «Levanta-te»”, convida o Papa.

E a Boa Nova, a Palavra de Cristo, é infinitamente superior às “frases mágicas” que são ditas aos jovens nos momentos de dificuldades: “é uma palavra divina e criadora, a única que pode restabelecer a vida onde esta se apagou”.

E no convite a levantar-se, abrir-se para uma realidade que vai muito além do virtual, a tecnologia deve ser utilizada como um meio e não como fim. “Graças a esta mensagem, muitos rostos apagados de jovens ao nosso redor animar-se-ão tornando-se muito mais belos do que qualquer realidade virtual”, escreveu o Papa.

Confira a mensagem na íntegra:

 

Mensagem do Santo Padre para a XXXV Jornada Mundial da Juventude 2020
(Domingo de Ramos, 5 abrie), 05.03.2020

«Jovem, Eu te digo, levanta-te! » (cf. Lc 7, 14)

Queridos jovens,

No mês de outubro de 2018, através do Sínodo dos Bispos dedicado ao tema Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, a Igreja lançou um processo de reflexão sobre a vossa condição no mundo atual, a vossa busca de um sentido e um projeto na vida, a vossa relação com Deus. Depois, em janeiro de 2019, encontrei centenas de milhares de coetâneos vossos de todo o mundo, reunidos no Panamá para a Jornada Mundial da Juventude. Acontecimentos como estes – Sínodo e JMJ – manifestam uma dimensão essencial da Igreja: o «caminhar juntos».

Nesta caminhada, sempre que alcançamos um marco importante, somos desafiados por Deus e pela própria vida a pôr-nos novamente em marcha. Vós, jovens, sois especialistas nisto! Gostais de viajar, cruzar-vos com lugares e rostos nunca vistos antes, viver novas experiências. Por isso, como destino da vossa próxima peregrinação intercontinental em 2022, escolhi a cidade de Lisboa, capital de Portugal. De lá, nos séculos XV e XVI, inúmeros jovens, incluindo muitos missionários, partiram para terras desconhecidas a fim de partilhar a sua experiência de Jesus com outros povos e nações. O tema da JMJ de Lisboa será: «Maria levantou-Se e partiu apressadamente» (Lc 1, 39). Nos dois anos que precedem o Encontro, pensei em refletir juntamente convosco sobre outros dois textos bíblicos: «Jovem, Eu te digo, levanta-te! (cf. Lc 7, 14)», em 2020, e «Levanta-te! Eu te constituo testemunha do que viste! (cf. At 26, 16)», em 2021.

Como podeis ver, o verbo comum aos três temas é levantar-se. Esta palavra possui também o significado de ressuscitar, despertar para a vida. É um verbo frequente na Exortação Christus vivit (Cristo vive), que vos dediquei depois do Sínodo de 2018 e que, juntamente com o Documento Final, a Igreja vos oferece como um farol para iluminar as sendas da vossa existência. Espero de todo o coração que o caminho que nos levará a Lisboa coincida em toda a Igreja com um forte empenho na concretização destes dois documentos, orientando a missão dos animadores da pastoral juvenil.

Passemos agora ao nosso tema deste ano: Jovem, Eu te digo, levanta-te! (cf. Lc 7, 14). Já citei este versículo do Evangelho na Exortação Christus vivit: «Se perdeste o vigor interior, os sonhos, o entusiasmo, a esperança e a generosidade, diante de ti está Jesus, como parou diante do filho morto da viúva, e o Senhor, com todo o seu poder de Ressuscitado, exorta-te: “Jovem, Eu te ordeno: Levanta-te!”» (n. 20).

Neste texto, vemos que Jesus, ao entrar na cidade de Naim, na Galileia, se depara com um cortejo fúnebre acompanhando à sepultura um jovem, filho único duma mãe viúva. Tocado pelo sofrimento angustiado daquela mulher, Jesus faz o milagre de lhe ressuscitar o filho. Entretanto o milagre tem lugar depois duma série de atitudes e gestos: «Vendo-a, o Senhor compadeceu-Se dela e disse-lhe: “Não chores”. Aproximando-Se, tocou no caixão, e os que o transportavam pararam» (Lc 7, 13-14). Detenhamo-nos a meditar sobre alguns destes gestos e palavras do Senhor.

Ver o sofrimento e a morte

Jesus pousa um olhar atento, não distraído, sobre aquele cortejo fúnebre. No meio da multidão, avista o rosto duma mulher marcado por extremo sofrimento. O seu olhar gera o encontro, fonte de vida nova. Não há necessidade de muitas palavras.

Como é o meu olhar? Vejo com olhos atentos ou como faço ao repassar rapidamente as milhares de fotografias no meu telemóvel ou os perfis sociais? Quantas vezes nos acontece, hoje, ser testemunhas oculares de inúmeros acontecimentos, sem nunca os vivermos ao vivo! Às vezes, a nossa primeira reação é filmar a cena com o telemóvel, talvez esquecendo-nos de fixar nos olhos as pessoas envolvidas.

Ao nosso redor e às vezes mesmo dentro de nós, deparamo-nos com realidades de morte: física, espiritual, emocional, social. Damo-nos conta disso ou limitamo-nos a sofrer as consequências? Haverá algo que possamos fazer para restabelecer a vida?

Penso em tantas situações negativas vividas pelos vossos coetâneos. Por exemplo, há quem arrisque tudo no momento presente com experiências extremas, colocando em perigo a própria vida. Mas há outros jovens que estão «mortos», porque perderam a esperança. Ouvi uma moça dizer: «Vejo que, entre os meus amigos, se perdeu o ímpeto para se comprometer, a coragem de se levantar». Infelizmente, entre os jovens, alastra também a depressão, que pode, em alguns casos, levar à tentação de destruir a própria vida. Há tantas situações onde reina a apatia e o indivíduo se perde num abismo de angústias e remorsos. Inúmeros jovens choram, sem que ninguém ouça o grito da sua alma. Muitas vezes, ao seu redor, o que há são olhares distraídos, indiferentes talvez mesmo de quem esteja a gozar os seus momentos felizes mantendo-se à larga.

Há quem deixe correr os dias na superficialidade, considerando-se vivo quando dentro, na realidade, está morto (cf. Ap 3, 1). É possível encontrar-se aos vinte anos a arrastar uma vida decadente, não à altura da própria dignidade. Tudo se reduz a um «deixar correr», contentando-se com qualquer gratificação: um pouco de diversão, algumas migalhas de atenção e carinho dos outros, etc. Há também um generalizado narcisismo digital, que influencia tanto jovens como adultos. Muitos vivem assim! Alguns deles talvez tenham respirado ao seu redor o materialismo de quem pensa apenas em ganhar dinheiro e estabelecer-se na vida, como se fossem os únicos objetivos da mesma. A longo prazo, irá inevitavelmente aparecer um surdo mal-estar, uma apatia, um tédio de viver, cada vez mais angustiante.

Os comportamentos negativos podem ser provocados também por fracassos pessoais, quando algo que tínhamos a peito e por que nos tínhamos esforçado deixa de progredir ou não produz os resultados esperados. Pode acontecer no campo escolar, ou com pretensões desportivas e artísticas, etc. O fim dum «sonho» pode levar a sentir-se morto. Mas os fracassos fazem parte da vida de todo o ser humano, podendo às vezes revelar-se até uma graça. Com frequência algo que pensávamos nos iria dar felicidade revela-se uma ilusão, um ídolo. Os ídolos pretendem tudo de nós, escravizando-nos; mas nada dão em troca. E no fim desabam, deixando apenas pó e fumo. Neste sentido os fracassos, se fizerem cair os ídolos, são bons, ainda que nos façam sofrer.

Poder-se-ia continuar com outras situações de morte física ou moral em que é possível encontrar-se um jovem, tais como os vícios, o crime, a miséria, uma doença grave, etc. Mas deixo-o para vós refletirdes pessoalmente e tomardes consciência do que causou «morte» em vós ou em alguém próximo de vós, no presente ou no passado. Ao mesmo tempo, lembrai-vos de que aquele jovem do Evangelho – estava realmente morto – voltou à vida, porque foi visto por Alguém que queria que ele vivesse. Isto pode acontecer ainda hoje e todos os dias.

Ter compaixão

Muitas vezes, a Sagrada Escritura refere o estado de ânimo de quem se deixa comover «até às entranhas» pela dor alheia. A comoção de Jesus torna-O participante da realidade do outro. Toma sobre Si a miséria do outro. A dor daquela mãe torna-se a sua dor. A morte daquele filho torna-se a sua morte.

Em muitas ocasiões, vós, jovens, demonstrais que vos sabeis com-padecer. Basta ver como tantos de vós se doam generosamente, quando as circunstâncias o exigem. Não há desastre, terremoto, inundação que não veja grupos de jovens voluntários mostrarem-se disponíveis para socorrer. Também a grande mobilização de jovens que querem defender a criação dá testemunho da vossa capacidade de ouvir o clamor da terra.

Queridos jovens, não deixeis que vos roubem esta sensibilidade. Oxalá ouçais sempre o gemido de quem sofre; oxalá vos deixeis comover por aqueles que choram e morrem no mundo atual. «Certas realidades da vida só se veem com os olhos limpos pelas lágrimas» (Christus vivit, 76). Se souberdes chorar com quem chora, sereis verdadeiramente felizes. Há tantos coetâneos vossos que se veem privados de oportunidades, sofrem violências, perseguições. Que as suas feridas se tornem as vossas, e sereis portadores de esperança neste mundo. Podereis dizer ao irmão, à irmã «levanta-te, não estás sozinho, não estás sozinha», fazendo-lhe experimentar que Deus Pai nos ama e Jesus é a sua mão estendida para nos erguer.

Aproximar-se e «tocar»

Jesus para o cortejo fúnebre. Avizinha-Se, faz-Se próximo. A proximidade impele a ir mais além, cumprindo um gesto corajoso para que o outro viva. Gesto profético é o toque de Jesus, o Vivente, que comunica a vida. Um toque que infunde o Espírito Santo no corpo morto do jovem e reacende as suas funções vitais.

Aquele toque penetra numa realidade de desolação e desespero. É o toque do Divino, que passa também através do amor humano autêntico e abre espaços inimagináveis de liberdade, dignidade, esperança, vida nova e plena. A eficácia deste gesto de Jesus é incalculável: lembra-nos que um sinal de proximidade, mesmo simples mas concreto, pode suscitar forças de ressurreição.

Sim! Também vós, jovens, podeis aproximar-vos das realidades de sofrimento e morte que encontrais, podeis tocá-las e gerar vida como Jesus. Isso é possível, graças ao Espírito Santo, se primeiro fordes tocados vós pelo seu amor, se o vosso coração se deixar enternecer pela experiência da sua bondade para convosco. Ora, se sentirdes dentro de vós esta ternura apaixonada de Deus por cada criatura viva, especialmente pelo irmão faminto, sedento, enfermo, nu, encarcerado, então podereis aproximar-vos como Ele, tocar como Ele e transmitir a sua vida aos vossos amigos que estão mortos por dentro, que sofrem ou perderam a fé e a esperança.

«Jovem, Eu te digo, levanta-te!»

O Evangelho não refere o nome daquele jovem ressuscitado por Jesus em Naim. Isto é um convite ao leitor, para se identificar com ele. Jesus fala a ti, a mim, a cada um de nós e diz: «Levanta-te!». Bem sabemos que também nós, cristãos, caímos e sempre nos devemos levantar. Só quem não caminha é que não cai; mas também não avança para diante. Por isso, é preciso acolher a intervenção de Cristo e fazer um ato de fé em Deus. O primeiro passo é aceitar levantar-se. A nova vida que Ele nos der, será boa e digna de ser vivida, porque será sustentada por Alguém que nos acompanhará também no futuro sem nunca nos deixar, ajudando-nos a gastar de forma digna e fecunda esta nossa existência

É verdadeiramente uma nova criação, um novo nascimento; e não mera persuasão psicológica. Provavelmente, nos momentos de dificuldade, muitos de vós ouviram repetir-lhe certas frases «mágicas» que estão de moda hoje e deveriam resolver tudo: «deves acreditar em ti próprio», «deves encontrar os recursos dentro de ti», «deves tomar consciência da tua energia positiva», etc. Mas todas elas não passam de meras palavras e, para quem estiver verdadeiramente morto dentro, não funcionam. A palavra de Cristo tem outra espessura: é infinitamente superior; é uma palavra divina e criadora, a única que pode restabelecer a vida onde esta se apagou.

A nova vida «de ressuscitados»

Diz o Evangelho que o jovem «começou a falar» (Lc 7, 15). A primeira reação duma pessoa que foi tocada e restituída à vida por Cristo é expressar-se, manifestar sem medo nem complexos o que tem dentro: a sua personalidade, os seus desejos, as suas necessidades, os seus sonhos. Talvez nunca o tivesse feito antes; estava convencida que ninguém a poderia compreender.

Falar significa também entrar em relação com os outros. Quando se está «morto», o indivíduo fecha-se em si mesmo: interrompem-se as relações ou tornam-se superficiais, falsas, hipócritas. Quando Jesus nos devolve a vida, «restitui-nos» aos outros (cf. Lc 7, 15).

Hoje muitas vezes há «conexão», mas não comunicação. Se o uso dos aparelhos eletrónicos não for equilibrado, pode levar-nos a ficar sempre colados a um visor. Com esta mensagem, queridos jovens, gostaria também de lançar juntamente convosco o desafio duma viragem cultural, a partir deste «levanta-te» de Jesus. Numa cultura que quer os jovens isolados e debruçados sobre mundos virtuais, façamos circular esta palavra de Jesus: «Levanta-te». É um convite a abrir-se para uma realidade que vai muito além do virtual. Isto não significa desprezar a tecnologia, mas usá-la como um meio e não como fim. «Levanta-te» significa também «sonha», «arrisca», «esforça-te por mudar o mundo», reacende os teus desejos, contempla o céu, as estrelas, o mundo ao teu redor. «Levanta-te e torna-te aquilo que és». Graças a esta mensagem, muitos rostos apagados de jovens ao nosso redor animar-se-ão tornando-se muito mais belos do que qualquer realidade virtual.

Porque se tu dás a vida, alguém a acolhe. Uma jovem disse: «Levantas-te do sofá, quando vês uma coisa estupenda e decides fazê-la também tu». O que é belo, apaixona. E se um jovem se apaixona por qualquer coisa, ou melhor, por Alguém, por fim levanta-se e começa a fazer grandes coisas; e, de morto que estava, pode tornar-se testemunha de Cristo e dar a vida por Ele.

Queridos jovens, quais são as vossas paixões e os vossos sonhos? Fazei-os sobressair e, através deles, proponde ao mundo, à Igreja, a outros jovens, algo de belo no campo espiritual, artístico e social. Deixai que vo-lo repita na minha língua materna: «hagan lìo – fazei-vos ouvir!» Ouvi dizer a outro jovem: «Se Jesus tivesse sido alguém preocupado apenas com as suas coisas, o filho da viúva não teria ressuscitado».

A ressurreição do jovem reuniu-o à sua mãe. Nesta mãe, podemos ver Maria, nossa Mãe, a Quem confiamos todos os jovens do mundo. Nela podemos reconhecer também a Igreja, que quer acolher com ternura os jovens todos, sem excluir nenhum. Assim rezemos a Maria pela Igreja, para que seja sempre mãe dos seus filhos que se encontram na morte, chorando e pedindo o seu renascimento. Por cada filho seu que morre, morre também a Igreja; e por cada filho que ressuscita, também ela ressuscita.

Abençoo a vossa caminhada. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim.

Roma, na Basílica de São João de Laterão, 11 de fevereiro

Memória de Nossa Senhora de Lurdes – de 2020.

FRANCISCO

Fonte: Site da CNBB

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